sexta-feira, 29 de julho de 2011

Chão firme

Me ensinaram a só atravessar ponte de concreto
Pra evitar as do tipo pênsil e as pinguelas
E com o tempo eu me vi com pernas rígidas
De musculatura que não me equilibram numa só perna
Nem a superar lamaçal recente
Para descobrir mais tarde que não há caminho firme
Para penetrar florestas fechadas
Em busca de pepitas de vida

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dia meu

Ninguém precisa saber
Que a cada nascer do sol
Eu me prometo um dia
Que não precisa ser melhor
do que os que passaram
Mas sim promessa do dia seguinte
Um dia em que não preciso terminar melhor
Apenas transformado
Pelos minutos onde mergulhei
Ou por eles fui afundado
Que esse dia apenas me dê a chance
De por baixo da porta espiar o próximo

sábado, 23 de julho de 2011

Diálogo

O que eu falo não é o que você escuta
Por conta de um idioma exclusivo
Minha voz é o tradutor simultâneo
De uma angústia silenciosa
Que tenta preencher o vazio
Mas só faz mais ruído
Decibéis demais para um grito surdo
Como os raios de uma tempestade interior
Clamando pela bonança prometida

Contrato

O que você pode esperar?
Não vale nem promessa pra mim mesmo
Me alegra viver sem cartilha
Porque o dia é um garrancho
Que a noite passa a limpo
E se puder deixar espaços em branco
Como lapsos da perfeição
Tanto melhor
No final terei o manuscrito
Que eu quis para mim